Ser pai também se aprende: como o programa psicoeducativo de Parentalidade positiva ajudou um pai a melhorar a relação com a filha
Durante vinte anos, Rui passou por várias dependências e vicissitudes. Reconstruiu a vida, criou uma empresa, formou uma família e tornou-se pai de duas filhas. Anos mais tarde, um episódio isolado na relação com a filha mais velha levou-o a frequentar o programa psicoeducativo de Parentalidade Positiva como medida judicial, uma experiência que, admite, acabou por lhe mostrar que educar também é aprender.
No início, chegou às sessões com alguma resistência: “O que é que me vão ensinar sobre ser pai?”, recorda. Mas rapidamente percebeu que o curso não avalia o seu percurso enquanto pai. Oferece, sim, ferramentas para lidar com os desafios da adolescência, da comunicação e da gestão dos conflitos familiares. “Há coisas que deixamos passar. Aprendemos a escolher melhor os momentos, a comunicar e a lidar com determinadas situações de outra forma. Todos os pais deviam fazer um curso destes”, afirma.
Ao longo das oito semanas do curso, Rui foi também revisitando a sua própria infância. Cresceu com um pai muito rígido, habituado a castigos severos e a uma educação marcada pela autoridade. Hoje acredita que essa experiência lhe permitiu perceber o que não queria repetir com as filhas. “Sei que conquistei a minha filha com amor, não por lhe apontar os defeitos. E isso também se aprende”, explica.
A relação com a filha mais velha mudou para melhor. O namoro que tanto o preocupava terminou, a jovem regressou aos estudos e prepara agora a entrada na universidade. Pai e filha reconstruíram a confiança, e Rui acredita que o diálogo substituiu a tensão que, durante algum tempo, marcou a relação entre ambos. Para Rui, esta transformação é a maior prova de que nunca é tarde para mudar. Se há uma lição que leva consigo do programa de Parentalidade Positiva é a de que ser pai não significa ser perfeito. Significa estar disponível para crescer com os filhos, reconhecer os próprios erros e continuar, todos os dias, a construir uma relação.
O programa de Parentalidade Positiva promovido pel’ O Companheiro tem como objetivo capacitar pais e mães para o exercício de uma parentalidade baseada no superior interesse da criança e do jovem, promovendo práticas educativas positivas que contribuam para o seu desenvolvimento e para o fortalecimento das relações familiares. Ao longo de oito módulos, os participantes abordam temas como a vinculação, os estilos parentais, a comunicação assertiva, a empatia, a disciplina positiva, a definição de regras e rotinas, a gestão de comportamentos na infância e adolescência e estratégias de resolução de conflitos. O programa procura reforçar as competências parentais, promovendo o bem-estar, a qualidade de vida e relações familiares mais saudáveis.
Este testemunho enquadra-se no projeto BIP/ZIP Vozes, que pretende dar voz a pessoas cujas perspetivas e experiências são frequentemente pouco representadas no espaço público.


